CD Pra Desengomar

Faixas

  • 1 - Pra desengomar (Alfredo Del-Penho e Moyseis Marques)
  • 2 - Bicho do mato (Edu Krieger e Moyseis Marques) - part. Leila Pinheiro
  • 3 - Deixa estar (Fernado Temporão e Moyseis Marques)
  • 4 - O badabadá do talarico (Edu Krieger e Moyseis Marques)
  • 5 - Um samba de amor (Moyseis Marques) - part. Ana Costa
  • 6 - O lado bom da incerteza (Zé Renato e Moyseis Marques)
  • 7 - Piuí (João Martins e Moyseis Marques)
  • 8 - Meu canto é pra valer (Moacyr Luz e Moyseis Marques) - part. Moacyr Luz
  • 9 - Xodó de lamparina (Zé Paulo Becker e Moyseis Marques)
  • 10 - Pra ter seu bem-querer (Bena Lobo e Moyseis Marques)
  • 11 - Como o cravo quer a rosa (Moyseis Marques) - part. Áurea Martins
  • 12 - Não deu (Moyseis Marques)
Biscoito Fino, 2012












Release

As caras novas da MPB que apontam para o sucesso devem – a meu ver – convergir em três direções essenciais: voz, repertório e presença cênica. É exatamente essa soma de fatores que Moyseis Marques ostenta, e com fartura, no delicioso “Pra Desengomar”, seu terceiro CD solo, com músicas suas ao lado de parceiros como Edu Krieger, Alfredo del-Penho, Fernando Temporão, Moacyr Luz, Zé Renato, Zé Paulo Becker, Bena Lobo e João Martins. Aliás, não de hoje boto olhos no talento do Moyseis. Lembro-me de que Ruy Castro me recomendou vê-lo no Teatro Rival BR há alguns anos, assegurando que se tratava de uma “grande revelação”. Fui e comprovei. Moyseis – com sua grafia tão original do nome bíblico – era mesmo original na maneira de se apresentar como cantor- compositor. Suave e doce, uma figura contida, elegante e sóbria (que logo – nem sei porque – me lembrou Chico Buarque dos anos 60), a serviço de um repertório refinado, esgrimindo o melhor do samba contemporâneo. Samba só? Vamos parar com essa bobagem de dividir cantores e/ou compositores em gêneros musicais, cantor-compositor de samba, de MPB, de choro, ou disso ou daquilo. A única divisão que admito é a musica boa ou a musica ruim. Moyseis é precisamente o bom cantor-compositor que canta, aí sim, preferencialmente um bom repertório. De samba de excelência, sim. E por quê não? Ótimo que ele acarinhe – e se debruçe sobre – o ritmo abrangente e definidor do Rio, o nosso gênero musical mais conhecido e universal. Este CD que você tem em mãos é uma concentração de revelações, um buquê de músicas (que vão até o baião, e a canção, além de sambas de primeira), feitas a dedo por um jovem mestre na arte de pinçar jóias e de fazê-las destilar, qual mel, por uma garganta de ouro. Um gogó seguro e agora fazendo parte inamovível da história contemporânea da MPB. Moyseis é luxuosamente visitado em quatro músicas por Leila Pinheiro (“Bicho do Mato”), Ana Costa (“Samba de Amor”), Áurea Martins (“Como o Cravo quer a Rosa”, feita especialmente para ela) e Moacyr Luz (“Meu Canto é Pra Valer”). Vaticino – o que é fácil e quase óbvio depois de ouvir com atenção este disco – um futuro ainda mais radioso para este originalíssimo Moyseis com “Y” e sem acentos agudos desnecessários. O que ele mesmo antecipa no belo texto falado da última música do CD, o ijexá-baião “Não Deu”, uma reafirmação de sua profissão de fé como compositor e de cantor.

Ricardo Cravo Albin
Presidente do Instituto Cultural Cravo Albin